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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Pois é, né...

Preciso contar um segredo. Às vezes eu me deparo com situações em que eu ponho meu jeito de ser, meu modo de pensar e minha personalidade sob escrutínio para ao final concluir uma coisa que, na realidade, eu sempre soube.

Enquanto vou vivendo, vou conhecendo gente de todo tipo, de muitas origens diferentes e com muitas histórias para contar. Só que, de vez em quando, conheço também pessoas com quem não vale a pena perder meu tempo. No momento em que começo uma conversa com uma pessoa dessas, não é difícil perceber que ela pertence a esse "grupo": a risada para preencher a falta de assunto, o comentário de crítica rápida ao lugar onde estamos ou às pessoas em volta, a grosseria disfarçada de "sinceridade", etc.

O pior vem quando se tenta iniciar uma conversa com essa pessoa. Como um carro com problema no motor, a conversa começa e "afoga" a cada tentativa. Essa pessoa vai falar constantemente que ele(a) ou ela(e) é bonito(a) mas o(a) outro(a) é feio(a), que isso e aquilo é "estranho" (porque não sabe dizer diferente), entre outras coisas que - neste ponto, felizmente - a perda de assunto não nos permite escutar. Nesse meio tempo, eu me pergunto "será que eu peguei 'síndrome de intelectual' e acho essa pessoa boba demais pra mim porque me tornei esnobe?". Depois de ouvir um pouco mais, a resposta é não: essa pessoa não tem a capacidade de perfurar o tecido superficial das conversas banais, nem que seja incentivada.

Uma dica: deixe pra lá. Sorria e pense que as pessoas no mundo são muito diversas, porque afinal só a diversidade pode abarcar gente assim. No final do dia, você sabe quem você é, o que você pensa e quem você quer (e melhor ainda quem você não quer) manter dentro da sua vida.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Poema bobo sem rima nem verso sobre um trem sacolejante

O trem da vida vai passando, fazendo barulho sobre os trilhos envelhecidos da existência deste mundo. Eu sou sim apenas mais uma sacola sem dono no bagageiro deste trem, sem destaque, à qual nenhum passageiro dá atenção. Apesar da minha insignificância, os sacolejos do vagão me alegram, porque me fazem mudar de forma ao reorganizar - sem meu consentimento - o que há dentro de mim. Coisas esquecidas! Coisas que antes estavam acolá e agora estão aqui!

Ao final desta viagem meio sem destino, meio já traçada, todas as sacolas, malas, frasqueiras serão desembarcadas. Algumas vão reclamar das dores e do enjoo que o balanço do vagão lhes causou. Eu vou concordar com elas - que a viagem foi cansativa, que todas precisamos descansar -.

Mas por dentro, longe de todas as outras bagagens, vou sorrir ao lembrar quão divertida foi minha primeira e talvez única viagem.

Feliz 2012 para todas as sacolas, merendeiras, maletas e mochilas desta viagem!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

통신

Tô com saudades da comunicação de meio olhar, da regra do meia-palavra-basta. Saudades de bater minhas mãos e expressar uma ideia com isso.

나는 아이가 아녀도 왜 아이 처럼 말할 수밖에 없을까?

Quero dizer "meia" em vez de "seis", contar abrindo a mão dedo a dedo progressivamente, poder falar a mesma coisa de dez formas diferentes!

이상하게 들리지만 맞아도 왜 이해하지 못 할까?

ISSO NÃO TEM NENHUM TOM POÉTICO. SIMPLESMENTE ESTOU COM SAUDADES DE PODER DIZER 'TÔ'. DE ESCREVER EM MAIÚSCULA, DE PERDER A FORMALIDADE SEM PERDER A EDUCAÇÃO.

SAUDADES DA LÍNGUA PORTUGUESA FALADA PELOS BRASILEIROS, DA LÍNGUA PORTUGUESA FALADA PELOS PORTUGUESES, DA LÍNGUA PORTUGUESA FALADA PELOS ANGOLANOS, MOÇAMBIQUENHOS, CABO-VERDIANOS.

포르투갈어. 브라질어. 심장어. 마음어. 미술어. 사랑어.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mudança

Um fato que ocorreu há alguns dias me deixou intrigado e pensando na vida. Uma amiga alemã minha voltou ao seu país e deixou vários sachês de chá comigo, que ela não teve tempo de beber. No princípio pensei "chá?", porque desde alguns anos atrás eu me tornei um viciado completo em café preto, cultuando a bebida quase como uma divindade do cotidiano.

Foi quando eu resolvi abrir um dos pacotinhos de chá verde, pôr água quente na xícara, fazer a infusão e começar a bebericar. Senti meu corpo relaxar com aquele momento, eu tomando uma xícara de chá sozinho no meu quarto. Desde então, há aproximadamente uma semana, tenho tomado bastante chá todo dia, e abandonei o café.

Isso é bastante bobo e sem relevância, mas me dei conta de que mudanças drásticas acontecem na vida de uma pessoa a qualquer momento. É interessante a maneira como ontem eu bebia café preto todo dia e agora me derreto por um chá, como alguém que joga tênis como hobby pode deixar totalmente de sentir prazer naquilo, como eu sinto que necessito uma pessoa aqui e agora hoje mas posso me esquecer dela em poucas semanas, meses, anos. No processo de mudança que ocorre em nossas vidas, praticamente a única coisa que conservamos é o nome que nossos pais nos deram quando nascemos. O tempo cura tudo, como dizem. Além de curar, ele também pode fazer com que você seja um milhão de pessoas diferentes nos seus breves 70, 80 anos de vida.

"Se hoje eu sou estrela, amanhã já se apagou. Se hoje eu te odeio, amanhã lhe tenho amor."

quarta-feira, 13 de julho de 2011

É?

"Eu te amo.
Vai ser tão estranho voltar e não te ver todo dia.
Vamos manter contato!
Ha ha ha ha!
Vamos ser amigos eternos.
Só mais uma.
Vamo, vamo lá! Só se vive uma vez!
Vou sentir muitas saudades.
Eu te amo."

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Tu es beau



Se pego tua foto
Curvas plásticas, rosto de vencedor, sorriso convencido
E queimo junto à minha
Um escarro dos fundos do pulmão preto da beleza
Nós dois nos tornamos as mesmas cinzas

terça-feira, 5 de abril de 2011

Pensamento de tabaco

Ele, sentado naquele banco, acende um cigarro
Bate o peito de cada pé contra o chão
E pensa
Pensa
Pensa
Pensa
(...)
Até perceber que, na verdade, ele não está pensando em nada
O que ele quer mesmo é sentir a brisa gelada
E esvaziar a cabeça à medida que o cigarro queima
Mas, então, ele começa a pensar
E pensa
Pensa
Pensa
(...)
Até se levantar, olhar em volta, ver as luzes da cidade do alto onde está
E parar de pensar.
Ele se senta novamente.
Um momento.
Mas então ele pensa que tem que pensar de novo
E pensa
Pensa
Pensa
Pensa
(...)
E não chega a solução alguma.
Ele joga o cigarro fora, pisa em cima dele, e compara sua existência à daquele toquinho de cigarro apagado, sendo esmagado por alguém que o usou.
Mas fazendo isso, ele está pensando.
E pensa,
Pensa
Pensa
Pensa
(...)
...E acende outro cigarro.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O café ainda não esfriou!


Sei que tenho estado ausente deste blogue nos últimos meses - aliás, ausente de qualquer coisa que exija redação e abstração... -, mas gostaria de dizê-los que ainda tenho planos para a enferma existência deste endereço. Assim, quem quer que esteja lendo, seja apenas eu ou mais alguém, por favor, não desistam dele. Seguindo o "tema" (título) do blogue, deixo-lhes com a forma mais gostosa de servir um café: às 6:30 da manhã de uma segunda-feira, numa lancheriazinha perto da rodoviária, sendo sorvido por um trabalhador da construção civil cuja jornada de hoje vai longe...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Relógio

A pulseira do meu relógio estragou. É um relógio que eu tenho há no mínimo um ano, mas não lembro bem quando comprei. No visor, ele tem um pequeno espaço em que mostra o dia do mês. Como ele estragou, minha mãe resolveu tirá-lo do meu pulso para mandar arrumar, e me deu, provisoriamente, um relógio velho dela.

O curioso é que, exatamente onde o outro relógio mostra o dia do mês, este mostra os segundos passando. O que acontece é que, por vezes, eu me pego procurando que dia do mês é hoje e vendo os segundos passarem. Até perceber que aquilo não é o dia do mês, nem meu relógio, eu me assusto.

Uma coisa que me veio à cabeça é que, dependendo do ponto de vista, os dias do ano realmente passam na mesma velocidade em que os segundos correm em um minuto, uma hora, um dia. Volto a observar o tal relógio de feirinha, imaginando que aqueles segundos correndo são realmente os dias. E não são?