Nem sempre estar sozinho é estar só
Nem sempre estar só é estar sozinho
Mas às vezes dá um medo de estar junto
De dividir a cama
De dividir o sorriso
De dividir a vida
Amar gente dói, gente amada cura
Dizer adeus é uma bala amarga de recheio doce
Nem todo sentimento tem nome
Às vezes fere, às vezes alivia
Setsunai.
Embora todos vêm e vão,
Eles não vão de verdade
Então por que não se ferir?
O que se perde com a ferida é a pele
E através da pele não passa nada
A água que importa
Vai toda pelo ralo
Sai sangue, o corte arde
Mas não é melhor do que não sentir?
Assusta, amedronta
Mas não é melhor do que não querer?
segunda-feira, 20 de junho de 2011
sábado, 4 de junho de 2011
Me deixa em paz
Eu acredito que semear o amor da forma que ele vier é muito melhor do que diferenciar quem deve ser amado de quem não deve.
Eu tenho a convicção de que atos de carinho não são exclusivos para esse ou aquele tipo de pessoa.
Eu creio na harmonia entre os mais diversos indivíduos.
Eu tenho conhecimento de que a convivência não é simples ou fácil, e que volta e meia teremos problemas;
Mas eu também sei que essas barreiras podem ser transpostas justamente com o amor que, em minha concepção, não deve ter fronteiras.
Eu não entendo como se podem renegar filhos, irmãos e amigos por quaisquer razões.
Eu também não consigo compreender como o que você demonstra ser, pensar e gostar pode ser usado contra você exatamente pelo fato de você ser diferente.
Eu não tenho dúvida de que há mais diversidade entre as pessoas do que as suas classificações científicas podem me dizer;
E eu sei que existem muitos que têm medo de caírem fora do molde dessas classificações e serem acusados de amorosos.
Em resumo, eu abomino a ideia de ver uma massa de pessoas incompreensivas tentando se separar de um grupo de pessoas cujo único pedido e única diferença é que as deixem em paz.
Não, isso é um poema. E este poema só quer ser deixado em paz.
domingo, 1 de maio de 2011
Nudez
Às vezes eu me pergunto porque a nudez é um tabu em tantas sociedades. E se nós andássemos nus por aí? Quem (ou quando se) teve a ideia de esconder a beleza ou a feiúra do corpo humano, exatamente na porção dos nossos corpos que gera novos seres humanos, que procria, que nos mantém existentes neste mundo?
Outra coisa interessante é como nós convencionamos nossos padrões de beleza física. Não ser forte ou ter os músculos à mostra é uma coisa muito mal vista em um homem; mulheres que têm um pouco mais de gordura no corpo do que o usual se consideram feias. Ter pêlos ou não é uma coisa que, apesar de variar de uma cultura para outra, também é determinante no julgamento de uma pessoa como atraente ou não atraente.
Falo isso porque acho que as pessoas deveriam ter mais contato e mais naturalidade com a (própria e alheia) nudez e com seu corpo. Não apenas "as pessoas", como se fosse uma entidade inexistente: eu também. É estranho como nós nos sentimos estranhos quando estamos nus, quando na verdade estamos somente despidos de tudo que é desnecessário, deixando só a essência aparecendo. Nós mesmos.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Pensamento de tabaco
Ele, sentado naquele banco, acende um cigarro
Bate o peito de cada pé contra o chão
E pensa
Pensa
Pensa
Pensa
(...)
Até perceber que, na verdade, ele não está pensando em nada
O que ele quer mesmo é sentir a brisa gelada
E esvaziar a cabeça à medida que o cigarro queima
Mas, então, ele começa a pensar
E pensa
Pensa
Pensa
(...)
Até se levantar, olhar em volta, ver as luzes da cidade do alto onde está
E parar de pensar.
Ele se senta novamente.
Um momento.
Mas então ele pensa que tem que pensar de novo
E pensa
Pensa
Pensa
Pensa
(...)
E não chega a solução alguma.
Ele joga o cigarro fora, pisa em cima dele, e compara sua existência à daquele toquinho de cigarro apagado, sendo esmagado por alguém que o usou.
Mas fazendo isso, ele está pensando.
E pensa,
Pensa
Pensa
Pensa
(...)
...E acende outro cigarro.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
O café ainda não esfriou!

Sei que tenho estado ausente deste blogue nos últimos meses - aliás, ausente de qualquer coisa que exija redação e abstração... -, mas gostaria de dizê-los que ainda tenho planos para a enferma existência deste endereço. Assim, quem quer que esteja lendo, seja apenas eu ou mais alguém, por favor, não desistam dele. Seguindo o "tema" (título) do blogue, deixo-lhes com a forma mais gostosa de servir um café: às 6:30 da manhã de uma segunda-feira, numa lancheriazinha perto da rodoviária, sendo sorvido por um trabalhador da construção civil cuja jornada de hoje vai longe...
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
ajevrec
Cerveja.
Cerveja.
Cerveja.
CERVEJA.
C E R V E J A.
C E R V E J A.
C E R V E J A.
C E R V E J A.
cerveja.
Cerveja?
Cerveja (!)
...
Cerveja.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Tijolo dolorido
Às vezes eu me sonho por aí. Por aí, gritando teu nome bem alto, cortando o véu da madrugada com minha voz trêmula que diz que te quer ver e não sabe dizer mais nada. Por aí, tropeçando em esquinas sujas, correndo por baixo de viadutos vazios, jogando pedras nas janelas de prédios abandonados. Nada aberto, nada funcionando, além dos prostíbulos da Riachuelo e das mulheres de garra da Farrapos. Dá vontade de chutar os mendigos com ira, como se partindo uma costela de Ninguém que não faz diferença para Ninguém eu me pudesse livrar de ti. Mas os mendigos, depois de sua jornada diária aguentando a vida sobre os ombros, não tem nada a ver comigo ou contigo. Isso me enraivece mais. Subo então no muro da Mauá, rastejo por debaixo da lua. Aquele aeromóvel inútil me faz lembrar que não há nada que eu possa fazer para te ver agora, te ver amanhã, te ver nunca mais. Mas quem se importa? Olha para mim. Eu não passo de um pequeno burguês qualquer, tendo uma fantasia qualquer sobre uma pessoa qualquer enquanto corro por uma Cidade Qualquer. E se eu subir o morro? E se eu envenenar o cachorro? E se eu bater minha cabeça contra a parede da prefeitura? E se as flores que eu lhe dei fossem mais bonitas? E se eu dirigisse o carro do ano? E se...E se? E se? Ici? Là-bas? Não sei. Acho que eu nunca soube, nem essas cobertas que eu afastei com o pé nem esse ventilador que não funciona direito me vão dizer.
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