Se pego tua foto Curvas plásticas, rosto de vencedor, sorriso convencido E queimo junto à minha Um escarro dos fundos do pulmão preto da beleza Nós dois nos tornamos as mesmas cinzas
Nem sempre estar sozinho é estar só Nem sempre estar só é estar sozinho Mas às vezes dá um medo de estar junto De dividir a cama De dividir o sorriso De dividir a vida
Amar gente dói, gente amada cura Dizer adeus é uma bala amarga de recheio doce Nem todo sentimento tem nome Às vezes fere, às vezes alivia Setsunai.
Embora todos vêm e vão, Eles não vão de verdade Então por que não se ferir? O que se perde com a ferida é a pele E através da pele não passa nada A água que importa Vai toda pelo ralo
Sai sangue, o corte arde Mas não é melhor do que não sentir? Assusta, amedronta Mas não é melhor do que não querer?
Eu tenho a capacidade de amar além das limitações que me impõem.
Eu acredito que semear o amor da forma que ele vier é muito melhor do que diferenciar quem deve ser amado de quem não deve.
Eu tenho a convicção de que atos de carinho não são exclusivos para esse ou aquele tipo de pessoa.
Eu creio na harmonia entre os mais diversos indivíduos.
Eu tenho conhecimento de que a convivência não é simples ou fácil, e que volta e meia teremos problemas;
Mas eu também sei que essas barreiras podem ser transpostas justamente com o amor que, em minha concepção, não deve ter fronteiras.
Eu não entendo como se podem renegar filhos, irmãos e amigos por quaisquer razões.
Eu também não consigo compreender como o que você demonstra ser, pensar e gostar pode ser usado contra você exatamente pelo fato de você ser diferente.
Eu não tenho dúvida de que há mais diversidade entre as pessoas do que as suas classificações científicas podem me dizer;
E eu sei que existem muitos que têm medo de caírem fora do molde dessas classificações e serem acusados de amorosos.
Em resumo, eu abomino a ideia de ver uma massa de pessoas incompreensivas tentando se separar de um grupo de pessoas cujo único pedido e única diferença é que as deixem em paz.
Não, isso é um poema. E este poema só quer ser deixado em paz.
Às vezes eu me pergunto porque a nudez é um tabu em tantas sociedades. E se nós andássemos nus por aí? Quem (ou quando se) teve a ideia de esconder a beleza ou a feiúra do corpo humano, exatamente na porção dos nossos corpos que gera novos seres humanos, que procria, que nos mantém existentes neste mundo?
Outra coisa interessante é como nós convencionamos nossos padrões de beleza física. Não ser forte ou ter os músculos à mostra é uma coisa muito mal vista em um homem; mulheres que têm um pouco mais de gordura no corpo do que o usual se consideram feias. Ter pêlos ou não é uma coisa que, apesar de variar de uma cultura para outra, também é determinante no julgamento de uma pessoa como atraente ou não atraente.
Falo isso porque acho que as pessoas deveriam ter mais contato e mais naturalidade com a (própria e alheia) nudez e com seu corpo. Não apenas "as pessoas", como se fosse uma entidade inexistente: eu também. É estranho como nós nos sentimos estranhos quando estamos nus, quando na verdade estamos somente despidos de tudo que é desnecessário, deixando só a essência aparecendo. Nós mesmos.
Sei que tenho estado ausente deste blogue nos últimos meses - aliás, ausente de qualquer coisa que exija redação e abstração... -, mas gostaria de dizê-los que ainda tenho planos para a enferma existência deste endereço. Assim, quem quer que esteja lendo, seja apenas eu ou mais alguém, por favor, não desistam dele. Seguindo o "tema" (título) do blogue, deixo-lhes com a forma mais gostosa de servir um café: às 6:30 da manhã de uma segunda-feira, numa lancheriazinha perto da rodoviária, sendo sorvido por um trabalhador da construção civil cuja jornada de hoje vai longe...