segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Clichês de utilidade pública

Tentamos, mas é difícil. A cada início de um novo ano, nós tendemos a cair nos mesmos clichês dos réveillons passados, como fazer sete pedidos (um para cada bolinha de nhoque ou para cada uva, dependendo da família). O espírito de renovação invade nossos cérebros e nós sentimos que tudo vai mudar no ano que acaba de começar. Perderemos 10 kg, beberemos menos cerveja, iremos mais vezes ao teatro, sorriremos mais. Acontece que, quando esse ano envelhece, nem nos lembramos do que prometemos a nós mesmos (e talvez a Deus, dependendo da pessoa), e isso tudo não serve para nada.

Não que isso seja um enorme problema. É melhor que tenhamos esperança e motivação do que sermos pessoas moribundas e reclamonas, eternamente decepcionadas com tudo à nossa volta. É só uma breve maneira de explicar melhor por que eu criei este blog.

Geralmente, como nos blogs passados, eu começaria com um post de boas-vindas, me apresentando de uma maneira bem curriculum vitae. Não vou fazer isso. Percebi que, quando digo o que eu estudo, minha idade ou a cidade onde vivo, forma-se um molde no qual nem sempre as minhas ideias cabem. Outro hábito comum meu é dizer que eu "estou criando esse blog para mim mesmo, já que ninguém vai ler". É óbvio que isso é só uma maneira de me consolar porque de fato ninguém vai ler; na realidade, eu sempre escrevo para um interlocutor. Uso essas ferramentas da internet, assim como amigos, como meus psicólogos grátis. Então desta vez eu afirmo: estou escrevendo para fora de mim, para esvaziar minha cabeça e para uma pessoa qualquer, num dia de ócio reflexivo, saber do que eu penso e pensar junto comigo.

Não sei bem qual é o objetivo desse blog. Melhor dizendo, ele não tem um objetivo concreto. O que eu sei é que às vezes eu sinto uma grande vontade de escrever alguma coisa e de ser lido, e não tenho um bom canal para fazer isso. Pode ser uma opinião política, um pensamento qualquer sobre a vida (a minha ou a dos outros...), uma estrofe que eu rabisquei no caderno, uma música que eu quero compartilhar. Acho que qualquer uma dessas coisas caberia aqui, então esperem por isso.

Estou em constante mudança, e sim, isso é um clichê que eu escolhi não evitar. Todos nós estamos, na verdade, sempre. Negar isso é loucura. O interessante, e angustiante ao mesmo tempo, é que isso faz com que eu (nós?) não saiba me definir bem. Sou agitado ou tranquilo? Gosto ou não gosto de vinho? Sou contra ou a favor da descriminalização de drogas ilícitas leves? Meu pensamento é itinerante e permeável, um canteiro de obras sempre sujeito a uma tempestade ou a uma greve.

Hoje é dia 3 de janeiro, e esse é o clichê máximo: criar um blog no início do ano. Dessa vez, contudo, não me importo se eu o excluir no dia 5 de janeiro ou daqui a 4 anos. O fato é que ele está aqui, sorrindo para mim e para vocês. Quem disse que relacionamentos curtos não podem ser tão bons quanto - ou melhores que - os longos?

O nome que eu escolhi, Le provoca un tinto?, é uma frase "dialetada" no espanhol de uma determinada região da Colômbia. O significado seria "você quer um café?". Eu gosto dessa frase porque ela me faz rir e me convida a um momento de pausa ao mesmo tempo.

Talvez seja isso que eu queira deste blog.

Um comentário:

  1. "...para uma pessoa qualquer, num dia de ócio reflexivo, saber do que eu penso e pensar junto comigo."

    É exatamente o que eu faço todos os dias de manhã no meu ócio reflexivo :)

    E sim, tenhamos mais greves, mais vozes, mais gritos, mais pausas, mais cafés..tudo isso vale a pena se conseguimos amadurecer ;)

    ResponderExcluir